A ministra, Marta Suplicy, afirmou nesta quinta-feira (17) que o beneficiário do Vale-Cultura poderá gastar a quantia como bem entender --inclusive com "revista de quinta categoria".

"Tem um monte de crítica, de coisa dizendo assim: 'Mas vai comprar revista de quinta categoria, vai comprar revista de direita, vai comprar revista assim ou assado'. Vai comprar o que quiser", disse a ministra em entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro", da Empresa Brasileira de Comunicação. "Pode qualquer revista, pode. Eu não sou censora. Pode comprar revista porcaria. O trabalhador decide".
Lançado em dezembro do ano passado, como principal vitrine de sua gestão na Cultura, o Vale-Cultura destinará R$ 50 mensais aos empregados cujo salário vai até cinco salários mínimos (R$ 3.390) de empresas que optarem por aderir ao programa. Dos R$ 50 mensais, R$ 45 serão bancados pelo governo federal via renúncia fiscal aos empregadores (cerca de R$ 7 bilhões anuais) e o restante, pelos trabalhadores ou pelas empresas que quiserem custear.
O vale poderá ser usado para aquisição de produtos culturais, como ingressos para shows, cinema, teatro e também na aquisição de livros, DVDs e periódicos informativos, a critério do trabalhador.

A lei em vigor atualmente permite essa possibilidade, embora não tão explicitamente como na emenda feita no Senado. O segundo artigo da lei considera entre as áreas culturais em que se pode gastar o Vale-Cultura "literatura, humanidades e informação".
Em seu lançamento, Marta já havia afirmado que não há qualquer possibilidade de o governo condicionar gastos. "A graça desse projeto é que a pessoa escolhe onde quer gastar. Se eu quero gastar tudo em livro, eu vou gastar, se eu quero economizar para ir a uma peça de R$ 200, eu vou fazer", afirmou.